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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Com dinheiro é mole!

Sabe aquela expressão "com dinheiro é mole?" Então...nestas olimpíadas do Rio ela ficou muito, muito clara!
A gente usou essa expressão para falar da Carla Perez quando notamos a sua transformação. E também da mulher do Zezé Di Camargo e de tantos outros e outras que se valeram do dinheiro para melhorar a sua imagem ou dar uma festa de arromba.
A diferença entre esses casos e o caso das olimpíadas é que nas olimpíadas a gente não tinha o tal dinheiro.
Que a festa seria um sucesso, linda e que todos amariam estar no Rio ninguém duvidava. Nem os ditos "torcedores do contra", porque todos concordam que se tem uma coisa que brasileiro sabe fazer é festa e que se há no mundo uma cidade que é gigante pela própria natureza, esta cidade é o Rio.
O que a turma da crítica, e eu me incluo aí, queria era que a festa não fosse só espetacular. Queríamos que fosse certa, responsável e dentro do orçamento. E disso, minha gente, passou longe!
Eu, como carioca, bairrista, tão apaixonada pela cidade que tenho tatuada sua paisagem na pele, queria ter visto muito mais que a maquiagem que vi pela tv.
Eu queria que a PM tivesse na rua, orgulhosa, com salário em dia e que não fosse preciso chamar a força nacional com seus fuzis e soldados que aparentavam rezar para não ter que usá-los. Queria que as estações do metrô da Barra estivem prontas e servindo a todos e não só a quem tinha o RIOCard olímpico.
Queria que os trens que vão para Belford Roxo e Japeri fossem os mesmos que levaram o mundo até o Engenhão nesses dias. Queria o Engenhão e o Maracanã seguros sempre!
Queria a Baía de Guanabara despoluída como tinham prometido, queria a "ala" nova do Miguel Couto Souza Aguiar, destinada a "emergências olímpicas" disponível p'ro cara que leva um tiro de bala perdida. Queria que não tivesse bala perdida, mas isso aí é um outro passo...
Mas principalmente eu queria não ter 120 milhões de conta pra pagar, além de tudo que já foi pago.
Conta que me levou a escrever este post quando ouvi (li) de uma amigo querido que "isso não interessava mais"
Ainda quero acreditar que isso foi só uma maneira (torta) de me dizer do jeitinho dele, com sotaque, aquele "relaaaaaxa Taninha" que ele costumava me dizer sempre que eu indignava (é, eu SEMPRE me indignei) com as coisas erradas que via.
Mas a verdade é que talvez ele realmente ache que essa conta não interessa, porque ele faz parte da pequeníssima parcela que não vai pagar essa conta.
Da galera que pagou em euro para as baladas animadíssimas nas "casas" dos países europeus, da galera que curtiu de verdade a festa, que interagia com os turistas, que vive a parte maneira do Rio, que mora pertinho da praia. Da galera que eu fazia parte. Mas eu já vi muito do outro lado. O lado da galera que vai pagar a conta.
O pessoal lá de Santa Cruz, da favela de Antares e do Rola, onde eu dei aula, que continua convivendo com tiroteios diários e continua com 1 , isso mesmo só UMA linha de ônibus passando por lá.
O pessoal que precisa e que vai continuar precisando da UPA e do posto de saúde sem médico e sem remédio, porque parte do dinheiro que deveria ir para o salário dos médicos, funcionários e para os remédios vai pagar o Boulevard Olímpico, o marido da minha prima que está e deve continuar desempregado porque o país está numa crise sem tamanho e o desemprego só cresce, a minha sogra que é aposentada do Estado do RJ e está até hoje com o 13o. do ano passado atrasado até hoje, a dona Maria que foi desalojada da Vila Autódromo e todos os outros 99.8% dos moradores da cidade olímpica. É essa a galera que vai pagar cada centavo dessa conta, com juros, suor e lágrimas.
"O povo voltou a sonhar" ele me disse (escreveu) e eu respondi que achava que sonho nunca faltou ao brasileiro. O que falta é exatamente o contrário, parar de sonhar e agir, cobrar. Falta querer e fazer o Rio lindo de baixo também, do asfalto sem flanelinha, da calçada sem criança dormindo e roubando.
Eu também amo a festa! Esperava ansiosa por fevereiro, mas sempre soube o que eu precisava fazer nos outros 11 meses do ano.
Eu não torço e nunca torci contra. Ao contrário! Torço a favor! A favor de que o meu povo se liberte do Circo e aprenda a cultivar o próprio pão.



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